Hj pela manhã senti como que revivendo alguns momentos passados da minha vida. O ar gélido que batia em meu rosto, somado à um céu azul cujo sol a nada esquentava fez-me recordar de épocas passadas no Japão.
Era como se voltasse no tempo, e sentisse-me de novo como uma adolescente, saindo de casa cedo para ir à escola. O gentil perfume de sakura, do qual sinto tantas saudades, e até mesmo o cheiro do vento fazia meu coração sentir uma estranha saudade... O cheiro peculiar que minha bolsa de chuugakkousei tinha, o lencinho que carregava no bolso e era estrategicamente borrifado com meu perfume preferido - já que éramos proibidos de usar perfumes, tudo me veio à memória, como num passe de mágica. Mesmo depois de tantos anos, tantas coisas vividas, nada me faz esquecer esses perfumes...
Entrei na lotação ainda inebriada com as lembranças... Sorrisos furtivos, os olhos distantes, a alma passeando pelo passado... E então uma surpresa... Um riso do meu sorriso, e os olhos fixos nos meus. Por um momento, senti-me encabulada, pois não fazia ideia de qto tempo aquela pessoa ria dos meus risos, das lembranças silenciosas que vagavam em minha mente. Abaixei meus olhos, num gesto de acanhamento. Fui para o fundo da lotação, numa tentativa de escapar desse olhar que parecia até enxergar o mais fundo de minh'alma.
Poucos minutos depois, mais uma vez aquele olhar em busca do meu, cujo dono sorridente, parara ao meu lado. Envergonhada novamente, retirada bruscamente da viagem interior, fugi daquele olhar, pousando meus olhos num ponto qualquer da janela. Porém, ansioso e insistente, aquele olhar não permitia-me voltar mais às minhas lembranças, o que me deixou de certa forma irritada...
Aborrecida, sem trocar nenhuma palavra, olhei para ele. Sua mão, a poucos centímetros, encostou levemente na minha, o que fez-lhe escapar um sorriso de criança sapeca, de quem acabou de cometer uma traquinagem. Aquele sorriso me desarmou, embaraçada, desviei novamente o olhar.
E aqueles olhos obstinados sorriam para mim. Até que seu ponto chegou e, virando-se, disse-me descontraidamente: "Foi um prazer conhecer o seu olhar...", e foi embora.
Um olhar perdido na multidão, um olhar que se perdeu entre muitos. Um olhar que fez-me recordar também, dos muitos que encontrei. Um olhar carinhoso, até de certa forma carente, mas um olhar marcante, pq por um instante, pôde conversar com o meu.
Sorri meio sem querer. E qdo cheguei ao meu destino, caminhei sentindo a brisa entorpecer a ponta do meu nariz, com o perfume de sakura inebriando-me e as palavras que ecoavam em minha mente, ditas por um olhar cujo rosto sequer sou capaz de lembrar...
Um dia qualquer, mas um olhar diferente. Fazendo de um dia comum, um dia que seria apenas de recordações - também de desejos e sonhos... O desejo de que "aquele" olhar, que invade meus sonhos mais ocultos em noites solitárias, seja também capaz dessa conversa silenciosa... Refletido nos olhares perdidos na multidão, busco um único: o seu...
Segredos calados num coração já tão cheio de cicatrizes, que no entanto, ainda mantém a fé de um dia encontrar o amor verdadeiro, aquele que não vive no passado, tão pouco no futuro, mas somente e tão somente no presente.
Bjos pessoas...
É Mizinha, numa época em que as imagens nos bombardeiam, em que as palavras já vem pasteurizadas e sem gosto de nada, parece que vc esbarrou com algo diferente. Se encontrar de novo com esse olhar, quem sabe...
ResponderExcluir(anyway, adorei a história)
um sorriso
Na verdade Fred, o olhar que eu quero de fato encontrar está distante... Porém, o que aconteceu serviu-me para provar isto: mesmo com tantos olhares, nenhum deles é quem eu busco.
ResponderExcluirTdo bem que não dá para negar, conseguiu dar um ar diferente à essa mania de xaveco barato. E isso é que faz a graça da história.
Ser original hj em dia é uma cópia tão barata...