sábado, 30 de abril de 2011

Sonhos que vem e ficam... Mesmo enqto acordados...

Já disse anteriormente como a solidão é-me uma companheira fiel e dedicada... Mas às vezes, sinto uma falta imensa de compartilhar certos momentos, pensamentos ou sentimentos, com alguém que possa chamar de especial. É um sonho que persegue boa parte das pessoas: o de ser feliz, completo...
Sinto-me bem sozinha, não nego... Porém, ninguém nasceu para viver eternamente sozinho... Como na poesia transcrita no post anterior, "(...) Sou talvez a visão que Alguém sonhou / Alguém que veio ao mundo pra me ver /  E que nunca na vida me encontrou!"... Daí eu me pergunto: Será que um dia irá me encontrar???
A vida não é uma constante. Tudo muda, tudo se transforma, se adequa... Olho para trás e percebo como a vida me transformou, como me criou de forma rigorosa. Tornei-me forte sim, porém, penso se não perdi a doçura de olhar a vida com mais leveza... (!!) Mentira! O dia em que perder essa tal leveza, mesmo que para alguns seja sinônimo de loucura, podem enterrar, eu morri!
Sonhar não é pecado. Iludir-se sim. Esse é o preço que os não tão racionais pagam qdo encontram alguém e lhe dedicam um amor possessivo. A ilusão eterna de que o 'objeto de desejo' é seu, só seu e de mais ninguém. Amores egoístas, possessivos, desejos íntimos que, no normal, jamais expressariam. Mas para aqueles, cujo ciúmes é predominante, não existem pudores. Já fui vítima desse tipo de amor. Na posição do objeto. E confesso: não há amor no mundo capaz de resistir à falta de controle emocional. Sou direta, sou sincera, porém a grosseria e os "barracos armados" me assustam. Odeio brigas ao ar livre.
Durante meu casamento, meu ex-marido e eu criamos uma forma única de brigar: silenciosa e pelo olhar. Duas pessoas de personalidades fortes, apesar de distintas, não poderiam encontrar outra forma de discussão. Com ele aprendi que, mesmo em momentos de muita raiva, nem sempre vale a pena a explosão. Tudo bem que isso apenas cultivou uma pequena gastrite nervosa, mas ainda assim, foi o que manteve durante bons anos, o nosso casamento. A única coisa que irritava-me, é que seu silêncio por vezes, durava semanas. E eu - que depois de uma única noite de sono sou capaz de esquecer toda e qualquer indisposição - beirava ao ataque de nervos com sua conduta.
No entanto, a paciência só veio depois. Nunca imaginei-me uma pessoa capaz de ser paciente. E os anos me presentearam com isto. Se antes, apenas compreensiva, hj sou capaz de relevar certas atitudes que não me agradam. Nunca amei de forma cega, e isso também sempre me incomodou: enxergar a pessoa como um todo, sem fechar os olhos aos defeitos ou às decisões erradas que o outro possa tomar. Assim como também, nunca iludir-me. Num antigo blog, que as traças comeram, eu havia (com muita coragem, diga-se de passagem) contado partes da minha vida de casada. Inclusive, sobre o dia do casamento, que gerou mto burburinho entre as pessoas que se relacionavam comigo na época, por conta da espécie de premonição que tive: no dia do meu casamento, eu sabia muito bem que não duraria mais do que 7 anos. Era uma certeza tranquila, calma, apesar de estranha. Tudo bem, depois de tudo o que passei, hj soa-me como burrice ter - ainda assim - assinado aqueles papéis, porém gosto de pensar que nada acontece por acaso. Foram anos difíceis os que vivi ao lado dele, em que fui feliz também - e muito - porém, quem sobrevive à uma relação em que é relegado sempre à segundo plano? Não nasci pra isso. Ainda mais partindo dele, por quem abandonei tudo e atravessei o mundo para ficar ao seu lado.
Depois de tantos anos de separação, entristeço-me qdo percebo que tudo aquilo que sempre vi nele, era de fato verdade. Porém, qual não é a minha surpresa qdo me dou conta que ele não me reconhece? Ou jamais me conheceu? Tantos anos de convívio, e ele ainda foi capaz de surpreender-se com meu pedido de separação.
Isto só prova que muitas vezes, esse tal amor egoísta, torna-o tbm cego... e pq não dizer, burro também? A visão dá lugar à prepotência de achar que o outro nunca irá abandoná-lo, pois já tornou-se sua posse.
Por isso conheço mtas pessoas que abandonaram o desejo de relacionar-se com outras pessoas, e dedicam seu amor aos seus animais de estimação. Eles não sabem falar...
Uma coisa é certa: iludir-se é pecado. Mas ser muito real tbm não é tão cristão assim. Por vezes me divirto com algumas pessoas, que acreditam no poder de suas palavras para convencer-me de algo. Enqto escrevem infindáveis frases sem sentido, delicio-me com as entrelinhas. Às vezes é doce, às vezes é amarga. Todavia, é sempre divertido.
No início do post, estava disposta a mostrar que também cometo "loucuras do coração" (rsrsrs)... Mesmo citando tantas vezes a racionalidade, não me abstenho de sentimentos, de emoções. No entanto, como tudo na minha vida tem vontade própria, até meus pensamentos mudaram o rumo do assunto. E vai ficar para outro dia.
Às vezes uma palavra é capaz de mudar absolutamente tudo. E às vezes, absolutamente nada. Depende simplesmente do poder que damos à ela.
Bjos pessoas

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